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Ano 3 Dezembro 2003 |
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Protótipos UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA FINALIZA PROTÓTIPOS DA HABITAÇÃO

| | Os protótipos buscam atender as condições climáticas do Rio Grande do Sul a partir de um sistema construtivo racionalizado |
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Em sistema de autoconstrução, realizado com a participação de famílias dos futuros moradores, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ergueu cinco protótipos voltados à habitação social. O objetivo das construções é associar aspectos técnicos e econômicos para proporcionar condições dignas de moradia. As casas foram construídas nas cidades de Santa Maria e de Santa Cruz do Sul. A iniciativa conta com financiamento da FINEP, dentro do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Caixa Econômica Federal e Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac). Conta também com a parceria com outras instituições, entre elas a Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul e a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec). A seleção dos moradores que estão construindo os protótipos e habitarão as casas foi realizada junto à Secretaria Municipal da Habitação.
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| De acordo com o professor da UFSM , José Mario Doleys Soares, levando em conta as condições climáticas do Rio Grande do Sul, foi necessário projetar utilizando um sistema construtivo racionalizado. Também foi levado em conta o conforto térmico do usuário – característica muitas vezes deixada em segundo plano em habitações de caráter social. Por isso, optou-se pelo uso de blocos cerâmicos, que têm um desempenho térmico e acústico satisfatórios para a realidade gaúcha.
Em termos de inovação, foi adotado um sistema construtivo de alvenaria estrutural, com blocos cerâmicos com vazados na vertical. Os blocos vazados permitem a passagem das instalações elétricas e hidráulicas, o que evita os ´rasgos´ nas paredes, comuns em construções convencionais, diminuindo o entulho na obra e permitindo a exposição, na alvenaria, da aparência natural do bloco. Além disso, as dimensões moduladas em função dos blocos eliminam a necessidade de quebras, reduzindo a quantidade de entulho. A família de blocos é composta de peças específicas para cada função (bloco para instalação elétrica, canaleta para execução de vergas e contravergas, etc.) o que simplifica a execução.
“A utilização de madeiramento e formas para peças de concreto armado é praticamente inexistente. Além disso, as faces do bloco são lisas, o que, externamente, contribui na redução da espessura do revestimento, e internamente, permite a eliminação deste, deixando-se a alvenaria aparente”, explica o professor. Para facilitar a construção por parte dos moradores, foram desenvolvidos manuais contendo todos os detalhamentos e orientações técnicas.
Concluídos, os protótipos serão acompanhado e suas características monitoradas por pelo menos cinco anos. Serão avaliados critérios como a satisfação dos moradores, a utilização dos espaços projetados, a ocorrência de patologias e o desempenho da habitação frente aos índices aceitáveis de conforto ambiental térmico, acústico e lumínico.
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| | A expectativa é transferir a tecnologia para outras famílias |
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Segundo o professor, por sua facilidade de construção e redução de desperdícios, a tecnologia pode ser difundida para outras famílias. “A tipologia leva em consideração o contexto cultural e social da região. Além disso, optamos pelo bloco cerâmico devido à força da indústria cerâmica no Estado e esperamos que a transferência dos modelos seja simples e exitosa”. De acordo com o professor, os custos finais dos protótipos ainda serão estimados. Com relação ao sistema de autoconstrução, o professor avalia: "A adoção da sistemática de mutirão é importante, mesmo que não implantada na totalidade da construção. Esta participação efetiva dos futuros moradores proporciona a conquista de um imóvel com qualidade e com menor custo que no mercado imobiliário". O manual de construção, incluindo orçamentos das tipologias, será disponibilizado para download no Portal Habitare.
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| SAIBA MAIS
Diagnóstico
Os protótipo foram construídos a partir dos resultados obtidos no projeto ´Desenvolvimento de habitações de caráter social utilizando bloco cerâmico´, financiado pelo Programa Habitare e coordenado pelo professor José Mario Doleys Soares, da Universidade Federal de Santa Maria. De acordo com a equipe, o estudo foi fundamental para a proposição de soluções de moradia adequadas à realidade e ao contexto do Rio Grande do Sul. Permitiu, por exemplo, a identificação do processo histórico de ocupação do território gaúcho, estudos de redes de cidades, dos sistemas urbanos atuais e a caracterização dos conjuntos habitacionais das principais cidades do estado. “Dessa forma, possibilitou um diagnóstico da construção considerando condições climáticas, econômicas e culturais”, explica o professor.
Os dados foram obtidos através de 240 questionários, distribuídos em 12 municípios. Com base nestes dados o projeto permitiu a elaboração detalhada de quatro tipologias residenciais. Estes modelos contemplam diferentes situações urbanas - áreas com declividade acentuada, terrenos estreitos, áreas com terrenos valorizados, entre outras. As tipologias permitem a construção de unidades geminadas ou em fita, além de ampliações planejadas (30 a 70m2).
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| Pesquisa
O projeto foi desenvolvido com o objetivo de conhecer a realidade dos conjuntos habitacionais do Rio Grande do Sul e captar a opinião dos moradores para servir de subsídios para o desenvolvimento de propostas de habitações de caráter social. O levantamento de dados foi realizado a partir de um questionário, composto de 49 itens. O instrumento permitiu levantar dados referentes às características gerais dos conjuntos habitacionais analisados, como: sua localização relativa ao centro da cidade, tipologias habitacionais encontradas, bem como a presença de equipamentos urbanos básicos e características de cada lote, no que se refere às dimensões, drenagem e topografia.
Além disso, procurou-se caracterizar a edificação quanto aos aspectos como área, tipologia, uso, idade, sistema construtivo, informações gerais sobre os compartimentos tais como: revestimento empregado no piso e nas paredes, patologias, alterações efetuadas nos imóveis e bens da família. Entre as principais características dos conjuntos habitacionais do Rio Grande do Sul, foram identificadas as seguintes: habitação de alvenaria, implantação isolada, piso cerâmico e cobertura de fibrocimento, com até 2 dormitórios, terreno plano com testada de 10 m.
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| Tipologias
O projeto permitiu o desenvolvidas de quatro tipologias diferentes, mas que apresentam características comuns, como: paredes laterais sem aberturas, permitindo habitações geminadas e/ou em fita; caimento do telhado frente-fundos; possibilidade de forro com pré-laje inclinada ou estrutura de madeira coberta com telha cerâmica; paredes externas revestidas com argamassa, deixando-se, na parte interna, o bloco aparente; uso de mesma parede para as tubulações hidrossanitárias da cozinha e banheiro; utilização de caixa de água de fibra de vidro ou PVC; fundação com estrutura tipo sapata corrida.
Foram também previstas possíveis ampliações, de acordo com a necessidade do usuário e características do terreno. Duas das unidades permitem a adição de mais um dormitório. Uma terceira, possibilita a ampliação de um para até quatro dormitórios. Apenas uma das tipologias não permite ampliações, sendo esta um sobrado proposto para a suprir a demanda de habitações em áreas valorizadas, onde as unidades são construídas em fita. Quanto às dimensões das tipologias, estas variam de 33 a 66 m2, podendo utilizar terrenos com frente variando entre 4 e 10 m.
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